Sáb. Jul 20th, 2019

Colite ulcerosa

A colite ulcerosa é uma doença inflamatória crónica do intestino que afeta a camada que reveste internamente o intestino grosso ou cólon. Esta camada (mucosa) fica inflamada e com pequenas feridas na superfície que podem sangrar. A mucosa inflamada produz também uma quantidade excessiva de secreção que pode conter pus e sangue.

A colite ulcerosa pode afetar uma extensão variável de intestino grosso, desde apenas alguns centímetros do recto, até à totalidade do cólon. Na maioria dos casos, o recto está envolvido.

Esta doença apresenta um impacto importante na vida dos pacientes afectados, causando sintomas recorrentes de diarreia sanguinolenta, urgência rectal e uma sensação dolorosa causada por contractura do esfíncter anal.

A idade habitual do aparecimento dos sintomas tem dois picos: entre os 15 e os 40 anos e entre os 50 e os 80 anos. Contudo, a colite ulcerosa pode surgir em qualquer idade. É mais comum quando existe um familiar em primeiro-grau afectado por uma doença inflamatória intestinal.

Surge igualmente no homem e na mulher.

Em 20 por cento dos casos a doença começa durante a infância ou adolescência.

Estima-se que, em Portugal, esta doença afecte cerca de 15.00 pessoas.

A incidência da doença inflamatória intestinal na Europa é de cerca de 16 novos doentes por 100.000 habitantes por ano. O crescimento desta entidade tem ocorrido nos países mais industrializados devido aos hábitos alimentares, factores ambientais e a estilos de vida mais sedentários.

Quais as causas da colite ulcerosa?

A sua causa é desconhecida. Pensa-se que pode ocorrer uma desregulação do sistema imunitário da mucosa intestinal que origina uma resposta imunológica exagerada contra a microflora intestinal normal, causando as lesões típicas da colite ulcerosa.

Essa resposta anómala pode ser desencadeada por um determinado factor, como um vírus ou uma bactéria, e irá provocar inflamação do intestino, mesmo quando o agente causador já não está presente.

Por outro lado, podem existir factores hereditários que contribuam para um aumento do risco de desenvolvimento da doença.

Estão identificados os seguintes fatores de risco: idade (a doença desenvolve-se geralmente antes dos 30 anos; história familiar (aumento do risco de desenvolvimento da colite ulcerosa em familiares de indivíduos com a doença).

Antigamente pensava-se que os hábitos alimentares, o stress e factores emocionais podiam ser responsáveis pelo aparecimento da colite ulcerosa. Essa hipótese não se confirmou.

Contudo, o stress pode agravar os sintomas da doença.

Como se manifesta a colite ulcerosa?

Os sintomas da colite ulcerosa variam de acordo com a gravidade e com a quantidade de cólon afetado. Os sintomas mais frequentes são a diarreia com sangue, a dor abdominal tipo cólica e o desejo urgente de evacuar. Nos casos mais graves pode ocorrer, ainda, cansaço, perda de peso e febre.

Esta doença tem um curso variável, existindo períodos em que está activa e outros em que não se associa a qualquer sintoma.

Embora na maioria dos casos as crises de colite ulcerosa não sejam graves e respondam bem ao tratamento, podem surgir situações mais graves ou fatais.

Em muitos doentes surgem manifestações extraintestinais, como as ulcerações orais, alterações nas articulações periféricas e manifestações cutâneas.

As principais complicações da colite ulcerosa são as hemorragias graves; a perfuração intestinal; a dilatação repentina do cólon; a osteoporose; a litíase (pedras) renal; doenças da pele e articulações; aumento do risco de cancro do cólon.

O risco de cancro do cólon é maior em indivíduos com envolvimento de todo o cólon e com mais de 10 anos de evolução da doença. É, por isso, fundamental a vigilância regular do cólon mediante a realização de colonoscopia, exame onde se utiliza um colonoscópio, que é um instrumento flexível que permite examinar todo o interior do intestino grosso e que permite a recolha de pequenos fragmentos da mucosa para estudo microscópico.

Como se diagnostica a colite ulcerosa?

Para lá da história clínica e do exame médico, poderão ser solicitadas análises ao sangue e às fezes.
A confirmação do diagnóstico requer a realização de uma colonoscopia.

Como se trata a colite ulcerosa?

Não existe actualmente uma cura para a colite ulcerosa. Os tratamentos disponíveis permitem melhorar as queixas da Colite ulcerosa e manter os pacientes sem sintomas durante longos períodos de tempo.

O tratamento irá depender da gravidade e extensão da doença, da resposta aos tratamentos já efectuados e do número e gravidade das crises anteriores.

Nos doentes com crises agudas graves, ou muito frequentes ou com lesões do cólon com elevado risco de malignização, poderá ser necessária uma intervenção cirúrgica.

Em alguns casos, a hospitalização pode ser necessária para um melhor controlo de crises graves de colite ulcerosa.

A maioria dos doentes com Colite ulcerosa pode fazer uma alimentação normal, sem restrições alimentares, com excepção dos períodos em que ocorre diarreia, nos quais deve ser efectuada uma dieta pobre em fibras e sem lactose.

Os medicamentos mais utilizados no tratamento da colite ulcerosa são os aminosalicilatos, que ajudam a controlar a inflamação, os corticóides, os imunomoduladores e fármacos mais recentes, como o infliximab, úteis quando os pacientes não respondem ao tratamento convencional.

Poderão ainda ser utilizados medicamentos que aliviem as dores, a diarreia ou que tratem eventuais infecções.

Como se previne a colite ulcerosa?

Não existindo uma causa conhecida para a colite ulcerosa, a sua prevenção não é possível.
É importante sublinhar que os anti-inflamatórios podem agravar os sintomas.

Dada a associação entre colite ulcerosa e cancro do cólon, o rastreio regular por colonoscopia é fortemente recomendado, com intervalos de 1 ou a 2 anos mas que devem ser sempre validados pelo médico.

Fontes

  • Horácio Lopes e col., Terapêutica farmacológica da Colite Ulcerosa. J Port Gastrenterol. 2009, 16 (4): 140-141.
  • Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva, 2012
  • Associação Portuguesa da Doença Inflamatória do Intestino, 2012
  • Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, 2013
  • The National Digestive Diseases Information Clearinghouse, Julho de 2013
  • U.S. National Library of Medicine, Agosto de 2012

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