Sáb. Jul 20th, 2019

Estratégias de diagnóstico e tratamento para enxaqueca


Stephen Silberstein, MD

Stephen Silberstein, MD, Professor of Neurology and Director, Headache Center, Sidney Kimmel Medical College at Thomas Jefferson University

Apesar de afetar cerca de 39 milhões de norte-americanos, a enxaqueca permanece um distúrbio neurológico amplamente mal compreendido e frequentemente diagnosticado de maneira incorreta. Na verdade, um estudo de referência determinou que aproximadamente um em cada quatro participantes que sofriam de enxaqueca não recebeu um diagnóstico clínico de enxaqueca de seu médico. Chegar ao diagnóstico correto é uma primeira etapa essencial para a mitigação dos efeitos e da gravidade da enxaqueca.

Como clínicos gerais frequentemente atuam na linha de frente do tratamento de pacientes que apresentam cefaleia, uma apresentação geral das melhores práticas para o diagnóstico e um resumo das novas opções de tratamento serão úteis para os clínicos gerais que buscam interações mais produtivas com os pacientes.

Não pensar excessivamente sobre o diagnóstico

A enxaqueca é considerada uma síndrome de dor neurovascular com processamento neuronal central alterado e envolvimento do sistema trigeminovascular. Os episódios de enxaqueca podem algumas vezes ser leves, mas, na sua pior forma, a enxaqueca pode deixar os pacientes incapacitados e incapazes de trabalhar, de cuidar de seus filhos ou, em alguns casos, até de sair da cama por diversos dias.

Os médicos devem contar em grande medida com os depoimentos dos seus pacientes para diagnosticar um indivíduo com enxaqueca. Muitos pacientes com enxaqueca relatam apresentar uma cefaleia de sinusopatia, embora eles não apresentem febre ou congestão. Da mesma forma, os pacientes podem se queixar de uma cefaleia de tensão grave. Em ambos os casos, o diagnóstico de enxaqueca deve ser cuidadosamente considerado para que o tratamento possa ser administrado cedo e de maneira adequada.

Para determinar se um paciente está sofrendo de enxaqueca, os médicos devem perguntar como a cefaleia está afetando a sua vida diária. Sendo um distúrbio autônomo, a enxaqueca pode ter sintomas além de uma cefaleia grave. Se um paciente se queixa de que a cefaleia torna o movimento doloroso ou de que vem acompanhada de sensibilidade à luz e náusea, ele pode estar sofrendo de enxaqueca. A perda de visão também está associada com a enxaqueca, assim como auras e outras perturbações sensoriais.

Novos tratamentos

Embora exista uma variedade de opções clínicas para a prevenção e o tratamento da enxaqueca, os clínicos gerais devem se sentir confortáveis ao prescrever um ou dois triptanos e um triptano injetável. Pacientes que necessitam de tratamentos adicionais podem ser encaminhados a um especialista.

Novas pesquisas também estão mudando o modo como pensamos sobre a enxaqueca e como ela é tratada. Recentemente, os pesquisadores identificaram que um peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (calcitonin gene-related peptide, CGRP) foi responsável em alguns casos por transmitir sinais de dor envolvidos na enxaqueca. Desde então, foram desenvolvidas medicações que incluem anticorpos monoclonais que se ligam ao próprio CGRP ou aos receptores aos quais o CGRP se une, bloqueando assim o CGRP e limitando boa parte da dor apresentada pelo paciente.

Aimovig, Ajovy e Emgality são medicações bloqueadoras do CGRP recém-aprovadas pela Agência de Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (Food and Administration, FDA) que foram recentemente introduzidas no mercado para o tratamento preventivo de cefaleia decorrente de enxaqueca. Todas são normalmente injeções mensais ou trimestrais administradas pelo paciente (Ajovy), e demonstraram reduzir a enxaqueca em indivíduos que apresentam quatro ou mais dias de enxaqueca por mês em estudos clínicos.

Novos dispositivos médicos também estão ganhando popularidade como tratamento para enxaqueca. O estimulador do nervo vago e o estimulador magnético transcutâneo são dois dispositivos portáteis disponíveis para controlar a dor relacionada à enxaqueca aguda e reduzir a frequência de futuras enxaquecas. No entanto, esses dispositivos podem ser caros e, por vezes, não estão disponíveis para muitos indivíduos nos EUA.

Outras atividades também estão ligadas à mitigação da intensidade, frequência e duração da enxaqueca, incluindo ioga, terapia com acupuntura e exercícios regulares.

Estratégias comportamentais para mitigação da enxaqueca

Para muitos pacientes, encontrar a combinação correta de tratamento clínico e rotina é um esforço permanente. É importante que os pacientes entendam o papel de uma rotina consistente na prevenção da enxaqueca, já que é sabido que desvios em um ciclo de sono e em uma dieta consistentes provocam episódios de enxaqueca. Pacientes também podem ser aconselhados a evitar determinados desencadeadores que foram ligados ao estímulo da enxaqueca, como beber vinho tinto, privação de cafeína, pular refeições, estímulos aferentes excessivos e stress.

Muitas vezes uma abordagem de “tentativa e erro” guiada pelo médico é necessária para que um paciente determine uma estratégia efetiva e benéfica.

Fonte: MSD

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